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:: Marvel no Divã: Bruce Banner


Há pouco tempo o terapeuta do universo Marvel, Tim Stevens, atendeu o Dr. Bruce Banner, que está, atualmente, sob custódia da S.H.I.E.L.D.. Em toda sua carreira talvez tenha sido este o atendimento mais tenso já realizado por ele, visto os indesejáveis resultados que poderiam surgir caso cometesse algum deslize com este cliente.


(Nota: o texto abaixo é uma tradução literal do texto de Tim Stevens publicado na coluna semana Psych Ward no site oficial da Marvel)

O Dr. Bruce Banner é um homem adulto abaixo de seu peso ideal. Ele se mostrou uma pessoa calma e contido, pelo menos inicialmente. Contudo, com o tempo o cliente envolve-se bastante com a conversa e mostra possuir grande perícia em ouvir e demonstra vários momentos de um humor brando. A despeito do
quão envolvido Banner pode ficar com a conversa, entretanto, ele fala em um tom silencioso e esforça-se para não fazer contato visual. Ele é muito asseado, mas aparenta ser bastante despreocupado sobre sua aparência. Esta atitude se estende para suas roupas e seus acessórios, os quais não seguem qualquer tipo de moda.

É evidente que o cliente possui uma mente extremamente aguçada, mas ele é muito humilde ao receber elogios ou em discussões sobre seu intelecto. Devido as área de especialização de Banner ele está sempre debatendo assuntos que são significativamente complexos para que seu terapeuta consiga relatar neste laudo. Nesta ocasião, o cliente se mostrou muito paciente em explicar as informações em termos leigos.

Atualmente, o Dr. Banner está sob os cuidados da S.H.I.E.L.D. em um local não revelado e até o momento nenhum plano sobre quando ou como o cliente será removido foi estabelecido. O diagnóstico mais proeminente para o caso do Dr. Banner é o de Desordem Dissociativa de Identidade.

Provavelmente o desencadeador deste quadro mental foram os severos abusos sofridos nas mãos de seu pai quando criança, os quais acompanharam Banner ao longo de toda sua infância. Além disso, repetidamente, o cliente foi alvo de gozações e abusos de quem detinha algum tipo de poder sobre ele. Devido aos abusos em sua infância, Banner acreditava, em seu íntimo, que sua raiva (e outras emoções) não pareciam ser capazes de protegê-lo e simplesmente entregar-se a seu agressor parecia ser uma atitude capaz de lhe prover a proteção adequada. Devido a isso, em relacionamentos futuros, mostrou-se incapaz e relutante em ser assertivo por ter "aprendido" que tais táticas iriam, inevitavelmente, fracassar.

Entretanto, ignorar ou negar as emoções não resultou que elas fossem embora e a mente de Banner, reagindo ao stress intenso, desenvolveu personalidades que poderiam lidar com sua raiva e expressá-la. Este processo manifestou-se quando Banner foi exposto a radiação gama e seu alter ego, o Hulk, foi criado. Desde então, grande parte da vida do cliente foi dominada pela stentativas de negar este seu outro lado ou de destruí-lo, sempre acompanhadas por uma culpa crescente devido às falhas constantes.

Eventuamente o Dr. Leonard Sampson foi capaz de usar a hipnose para criar uma personalidade dominante que era capaz de regular efetivamente as várias identidades do cliente. O preço para isso, entretanto, foi a perda do corpo de Banner, tanto fisicamente quanto psicologicamente. O Banner "integrado" foi, na verdade, um Hulk coloquialmente conhecido como "Professor Hulk". Esta condição acabou sendo revertida e Banner tornou-se capaz de reverter a sua forma física original e devido a sua própria escolha ou às condições em que é mantido pela S.H.I.E.L.D., Banner tem se mantido como a forma dominante desde que entrou em custódia.

Eventos recente, principalmente aquele que foi classificado como "Hulk contra o mundo", vem complicaram o estado psicológico do cliente. Apesar das injustiças cometidas especificamente contra o Hulk, como seu banimento da Terra e a morte de sua esposa, estas também foram sentidas por Banner. Sendo assim, ele se sente traído por seus pares, os mesmos em quem chegou a acreditar no passado, e é também acometido pela tristeza de sentir-se viúvo mais uma vez, além de sentir-se imensamente culpado por acreditar que tanto sua primeira esposa, Betty, e a segunda, Caieira, morreram por fazerem parte de sua vida.

Sendo assim, a primeira recomendação ara o plano de tratamento do cliente são sessões de mediação monitoradas entre ele e aqueles que ele culpa pelo período em que passou no espaço e a morte de sua segunda esposa. Inicialmente, as sessões seriam conduzidas em grupo e, posteriormente, conduzidas a encontros individuais assim que um nível de diálogo puder ser estabelecido.

A segunda recomendação concerne a Banner regular suas emoções. É improvável que o cliente venha a ficar livre de seu alter ego, mas sua esperança de atingir um equilíbrio psicológico está em sua capacidade de controlar suas emoções e, então, controlar seu "outro". Por fim, o cliente deverá participar de algum treinamento que o ajude a expressar suas emoções "negativas" (medo, raiva, frustração, etc.) através de meios saudáveis que resultem em benefício para ele.

Finalmente, é importante apontar que Banner não deve ser tratado como um prisioneiro para que esta trapia realmente funcione. Visto isto, urge que a S.H.I.E.L.D. realize a transferência do cliente para uma instituição psiquiátrica adequada para que se dê início as sessões de mediação entre ele e os "objetos" de sua raiva.


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:: Marvel no Divã: Eddie Brock


Após ter tido o privilégio de conhecer e ajudar três dos mais importantes heróis da Marvel - Matt Murdock, Bucky Barnes e Tony Stark - experimentou recentemente a temerosa sensação de estar frente a frente com uma dos mais perigosos homens da Casa das Idéias; Eddie Brock. Segue abaixo o laudo do psicólogo.

(Nota: o texto abaixo é uma tradução integral do texto de Tim Stevens publicado na coluna semanal Psych Ward no site oficial da Marvel)

Eddie Brock é um homem adulto, de apresentação malicenta e com traços físicos e palidez condizentes com seu diagnóstico terminal de câncer. O cliente fala de maeira silenciosa, em tons ofegantes, e expressa, através de sua linguagem corporal, tanto o desconforto físico quanto o psicológico que vem constantemente experimentando. Durante a conversa ele transitou de gentis momentos de concordância e conformidade sobre tudo o que fez, muito próximos a um arrependimento incapacitante a surpreendentes episódios de violenta discordância. Quaisquer debates sobre o vigilante uniformizado Homem-Aranha, o assassino serial Kletus Cassady, também conhecido como Carnificina ou o próprio passado de crimes de Brock, em particular, eram quase um garantia de extrair do cliente este último comportamento.

Atualmente, Brock está sob supervisão hospitalar devido ao rápido progresso de sua doença e foi obrigado a participar de sessões quinzenais de terapia devido a suas ações homicidas e suicidas anteriores e por ter reincidido em ideações de mesma natureza pareadas com alucinações visuais e auditivas sobre algo que o cliente chama de "o simbionte".

Devido a natureza incomum da natureza delitosa de Brock como o criminoso conhecido por Venom, diagnosticar quaisquer desordens das quais ele possa sofrer é particularmente difícil. Ele identifica muitos de seus comportamentos como sendo culpa do simbionte, uma criatura alienígena que, aparentmente, uniu-se a Brock há algum tempo atrás e o eliciou a atividades criminosas e de vigiantismo ao longo dos anos. Entretanto, uma sondagem sobre as emoções do cliente revela que os crimes que o alienígena cometeu refletem os sentimentos de Brock. Por exemplo, o simbionte esteve repetidamente envolvido em ataques ao Homem-Aranha, alguém que Brock reconhece que, de fato, odeia. Este é o caso de vários outros incidentes, de modo que quase todos os crimes violentos perpetrados pelo simbionte podem ser relacionados a alguma emoção negativa que Brock estivesse sentindo.

Portanto, é possível tratar o relacionamento do cliente com a entidade alienígena de maneira similar a de um viciado e a substância de sua escolha, ou seja, as atitudes tomadas sob influência podem ser rejeitadas pelo viciado (ou, nesse caso, Brock) e compreendidas por ele como culpa da substância e não devido a si mesmo, que é uma "boa pessoa" ou algo do gênero. Pode até mesmo ser verdadeiro que em condições normais eles - os viciados - não se comportariam de tal maneira. No entanto, a responsabilidade de seus atos ainda são deles, assim como são os pensamentos, sentimentos e idéias que serviram de base para o ato, independentes dos fatores. O cliente diz compreender este conceito, mas alega ser "diferente" com ele.

Parte da inabilidade do cliente em aceitar sua responsabilidade está ligada a sua profunda fé católica. Ele alega ser católico e admite que suas ações passadas lhe trazem imensa culpa devido a como são vistas sob a doutrina de sua religião. Para aliviar a culpa causada por esta dissonância cognitiva, Brock transfere a responsabilidade de seus atos para o simbionte, sentindo-se, temporariamente, livre da vergonha.

Há evidências significativas para sugerir, entretanto, que Brock traz alguns fatores de risco para doença mental em sua vida anterior a Venom. Tendo crescido com um pai que lhe negava qualquer tipo de afeição, o cliente foi impelido a suprir a ausência de sentimentos positivos através da excelência em qualquer área de atividade de sua vida. Sua falha em conseguir estabelecer uma conexão com seu pai estaria presente em suas interações com as outras pessoas, levando-o a constantemente buscar esta atenção em terceiros e a adoação de todos aqueles que o cercassem. Esse comportamento, é claro, levaria Brock a uma desonra publicamente conhecida e ao colapso de sua carreira jornalística; os primeiros episódios que ele descreveu como sendo a razão por ter se unido a entidade alienígena.

Também presente em sua fase pré-Venom há a propensão para o suicídio. Em sua recente história de suicídio, marcada por pelo menos três tentativas nos últimos meses, ecoam pensamentos suicidas que surgiram logo após a dissolução de sua carreira. Caso não tivesse encontrado o simbionte quando disse que o encontrou, é bem provável que teria tentado o suicídio naquele mesmo dia ou pouco tempo depois.

Sendo assim, é recomendado que Brock seja mantido sob supervisão intensa e restrições severas, o que inclue qualquer tipo de uetnsílios que não sejam de plástico. Apesar de seu quarto já ter sido averiguado, é altamente recomendado que a equipe continue a procurar por objetos afiados todos os dias a fim de assegurar que o cliente não fez qualquer tipo de "contrabando" para seu aposento.

A fim de lidar com a negação de Brock foi sugerido a ele que ingresse nos encontros dos Viciados Anônimos, pois, apesar de sua relação com o simbionte não se enquadrar tradicionalmente no ciclo de um vício típico, há muitas similaridades - principalmente a crença de Brock em um poder maior - que indicam que tais encontros poderão ser úteis e interessantes para ele.

Por fim, recomenda-se que o cliente mantenha o uso da medicação prescrita para o combate da depressão, ideações suicidas e homicidas e suas alucinações.

A fim de melhor acompanhar o andamento do caso de Brock é sugerido verificar o episódio intitulado "Novas Formas de Morrer" publicado em Homem-Aranha nº 92 pela editora Panini neste mês de agosto.

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:: Marvel no Divã: Tony Stark


Tim Stevens recebeu em seu consultório o ilustre Tony Stark, atual diretor da S.H.I.E.L.D. e Vingador, para algumas sessões de terapia e apresentou o seguinte laudo.

Tony Stark é um homem adulto que aparenta saúde física acima a média. Geralmente ele se mostra como uma pessoa sipática, inteligente e à vontade. Seus modos de falar e de agir evidenciam que ele cresceu em uma classe alta e recebeu educacação de alto nível. Como pôde ser observado o cliente é descontraído e dado a conversa, mas pode se fechar rapidamente quando toca-se em algum assunto do qual ele não se sinta confortável a falar. Em particular assuntos referentes à chamada Guerra Civil envolvendo super-heróis ou a batalha atual para o registro de super-humanos.

Atualmente Stark é a cabeça tanto da força mantenedora da paz o mundo, a S.H.I.E.L.D., e de sua própria companhia, a Stark Internacional. O cliente também continua a atuar como o herói blindado Homem de Ferro e serve a equipe de super-heróis oficialmente sancionada conhecida como Vingadores.

Durante algum tempo Stark teve um diagnóstico Eixo I (nota: diagnóstico dado a quadros de desordens mentais severas, assim também como para desordens de aprendizado ou de desenvolvimento) devido a dependência de álcool. Sua desordem está atualmente em remissão e o cliente continua sua luta diária contra o álcool com a ajuda do Alcoólicos Anônimos e de um colega super-herói cujo nome foi omitido por Stark. Como o anonimato faz parte das regras do Alcoólicos Anônimos, omitir o nome dessa pessoa não trará nenhuma compliação para o processo terapêutico.

O que não foi formalente diagnosticado dentro do grupo Eixo I, mas que em minha opinião profisional deveria ser, é o quadro de depresão severa do cliente. De acordo com relatos do próprio Stark ele experienciou pelo menos dois episódios recentemente: quando a S.H.I.E.L.D. tentou se apoderar de sua companhia comprando os direitos da empresa e quando Obadiah Stane confiscou a Stark Internacional. Apesar de ambos os episódios terem tido a presença abusiva do álcool compreendo que a depressão leva ao alcoolismo, não vice versa.

Complicando o quadro de saúde mental de Stark há os sintomas típicos de um diagnóstico do grupo Eixo III (nota: condições médicas agudas e dirsordens físicas), visto que o cliente tem um histórico de doença cardíaca e dificuldades neurológicas. Estas condições requisitaram que ele usasse constantemente uma placa peitoral recarregável e, posteriormente, que fosse mantido em animação suspensa. Apesar dessas condições não aparentarem serem de algum risco para o cliente atualmente é necessário que sejam mantidas sob observação.

Muito mais grave é a recente infecção de Stark pela doença experimental conhecida como Extremis. Apesar do cliente relatar que isso foi uma benção para ele é conhecido que outras pessoas expostas anteriormente a essa doença vieram a óbito, sendo esta uma pequena evidência que coloca em cheque os benefícios concedidos por Extremis. O cliente deve ser constantemente monitorado e submeter-se a exames físicos semanais até uma conclusão realmente efetiva do que a infecção Extremis pode lhe causar.

Stark alcaçou parcialmente seu objetivo principal, manter-se sóbrio. No entanto, apesar de estar sem beber há algum tempo ele também não tem comparecido a reuniões alegando estar "muito ocupado". Quando confrontado com a informação de que este é o discurso de muitos que desligaram-se do programa de recuperação e, posteriormente, tiveram uma recaída o cliente disse que iria ponderar sobre esta informação.

Ele também vem lutando para atingir seu segundo objetivo; manter uma comunicação aberta e honesta, mas ainda continua propenso a reservas e manipulações, práticas que ele próprio reconhece que acabam lhe trazendo imenso sentimento de culpa. O fato é que sua atual posição na S.H.I.E.L.D. complica ainda mais a questão das intrigas e manipulações, mas a recomendação de que se afastasse do cargo não foi levada em consideração por Stark.

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:: Marvel no Divã: Bucky Barnes


Mais um herói da Casa das Idéias procurou a ajuda de Tim Stevens na intenção de solucionar problemas internos. Quem está em terapia já há algum tempo é o homem que lutou ao lado do maior herói dos EUA e o substituiu recentemente; Bucky Barnes. Segue abaixo o laudo elaborado pelo terapeuta.

James "Bucky" Barnes é um homem adulto cuja idade é difícil estimar devido a repetidos períodos que passou em animação suspensa. Ele alega, entretanto - e os arquivos da S.H.I.E.L.D. confirmam -, que nasceu em meados da década de 20 do século passado. Está em plena forma física e possui em dos membros superiores amputados, o qual foi substituído por um braço cibernético possuidor de várias habilidades. O cliente alega não sentir a dor fantasma tipicamente associada a amputações.

Em sessão o cliente se mostra muito atencioso, embora um pouco recluso. Não confia facilmente nas pessoas, o que fica claro visto ao analisar seu discurso e seu comportamento. Entretanto, foi percebido que gostaria muito de voltar a ter confiança nos outros e que vem tentando construir uma relação terapêutica sólida com seu psicólogo.

A razão de seu sofrimento psicológico é proveniente do período de sua vida que atuou como Soldado Invernal, um operativo secreto a serviço do governo soviético no final da 2º Guerra Mundial. Ele alega que sofreu lavagem cerebral na época e não se recordava de sua vida anterior àquele período. Essa situação só pode ser desfeita quando um artefato chamado "Cubo Cósmico" foi usado por Steve Rogers para "despertar" Barnes.

Infelizmente ele não perdeu as lembranças dos serviços que prestou enquanto atuou sob influência do governo soviético. Ao contrário, recorda-se de tudo com clareza e isso é uma situação com a qual está sendo muito difícil lidar. O cliente reconhece as lembranças como sendo dele, mas o conceito do Soldado Invernal é tão distante daquilo que ele acredita ser sua verdadeira personalidade que sempre lhe parece que aquelas são memórias de outra pessoa ecoando em sua mente. Portanto, Barnes vem lutando com afinco para integrar essas memórias a sua percepção de si mesmo e tentado negociar com a culpa que estas lembranças lhe traz. Apesar de vir buscando a resolução dessa questão e estar se esforçando para elaborar tudo aquilo que vivenciou percebe-se que Barnes vem sofrendo de alguns sintomas de Desordem por Stress Pós-Traumático, um quadro que irá se desenvolver plenamente - se é que já não o fez - caso o cliente não alcance a elaboração adequada de suas angústias.

Outra questão preocupante refere-se a dúvida de permanecerem ou não ativados os gatilhos mentais instalados em sua mente pelos soviéticos. O cliente relatou que o criminoso conhecido como Dr. Faustus, contratado pelo famigerado Caveira Vermelha, valeu-se de um desses gatilhos para deixá-lo em um estado paralítico e sugestionável. Barnes conseguiu sobrepujar o estado que se encontrava, mas não sem lutar muito para isso. Ele disse que não sabe o que poderia ter acontecido caso não tivesse se atentado para o perigo representado por Fausutus e não tivesse sido ativamente resistente ao vilão. Como terapeuta reconheço muitas das possíveis aplicações da hipnose, mas desconheço os efeitos dessa técnica levada ao extremo. Quanto a esses gatilhos, portanto, discordo veementemente da S.H.I.E.L.D. e solicito que a agência realize a "desprogramação" do cliente tanto a fim de providenciar um alívio mental a Barnes quanto para protegerem a si mesmos de futuras investidas dele caso algum desses gatilhos sejam ativados.

Em terapia vem sendo discutido com Barnes sua relação com Natalia Romanov, a agente da S.H.I.E.L.D. conhecida como Viúva Negra. Enquanto ela parece ser uma influência positiva para ele servindo como confidente e exemplo de alguém capaz de deixar o passado para trás, seu papel na antiga vida do cliente é inquietante. Sendo assim, os benefícios desse relacionamento precisam ser pesados em relação às possíveis complicações que podem surgir visto que ela representa uma lembrança constante de quem ele foi e o quefez enquanto Soldado Invernal. Por ora sinto que não possuo compreensão suficiente sobre Barnes para afirmar se seu relacionamento com Romanov é nocivo ou não, no entanto sei que essa situação merece atenção.

Do mesmo modo merece grande atenção o atual papel de Barnes como Capitão América. Pois, ao enquanto seguir as pegadas de seu antigo mentor e vestir um uniforme que simboliza o patriotismo pode ser, ao menos inicialmente, um ótimo modo de Barnes reconectar-se a sua vida estadosunidense inicial, também o expõe aos elementos e questões que envolvem o Soldado Invernal. Logo, enquanto isso pode reafirmar que a personalidade de Invernal não é nada mais do que uma personalidade implantada pode também re-traumatizá-lo ou fazê-lo sentir que a violência seja um ponto central em sua identidade, independente de qual país ou lado esteja representando.

Sendo assim, é recomendado, por enquanto, que o cliente continue suas sessões semanais de terapia e a construir uma relação sólida com o terapeuta. Nenhum tratamento psicofarmacológico é recomendado por ora e não há evidências que indiquem a necessidade de consultas psiquiátricas.

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:: Marvel no Divã: Demolidor


A Marvel vem apresentando em seu site oficial uma série de artigos nos quais alguns de seus personagens tem um relatório psicológico elaborado pelo escritor Tim Stevens. Como o Soc! Tum! Pow! é organizado por alguém que além de leitor aficionado por quadrinhos é, nas horas vagas, psicólogo, não pude deixar de postar. É por isso que a partir desse post está inaugurado neste blog a coluna Marvel no Divã, e o primeiro cliente é ninguém menos que Matthew Murdock.

Mathew Murdock é um homem adulto em excelente forma física. Inicialmente aparenta confiança e é detentor de um discurso que sugere tanto suas raízes na Cozinha do Inferno quanto sua formação em Direito. Entretanto, quando perante frustrações o cliente sempre reage com péssimo temperamento.

Ele também é propenso a distanciar-se emocionalmente de situações e acaba "vestindo uma máscara" de desinteresse ou desapego. Os gatilhos para este comportamento parecem ser sua esposa, Milla, sua sociedade com o amigo e colega de profissão Foggy Nelson, o relacionamento com Dakota North, assim como seus relacionamentos com outras mulheres, sua vida como o vigilante mascarado Demolidor, o tempo que passou na prisão e a ação de qualquer um de seus inimigos uniformizados.

O cliente comentou sobre o pedido de vários de seus amigos e aliados terem insistido para que ele procurasse terapia, pois estavam preocupados dados os recentes acontecimentos na vida de Matthew. Também admitiu que tem forte predisposição contrária ao processo terapêutico, acreditando muito mais no ato da Confissão católica. Ele foi informado que as pessoas que buscam terapia sob estas condições tendem a não ser plenamente beneficiadas pelo processo, e durante toda esta sessão foi encorajado fortemente a refletir se estava em um lugar onde poderia ser ajudado.

A anamnese revela que a vida do cliente é repleta de tragédias, tanto no passado quanto no presente, muitas das quais ele fez pequeno ou nenhum movimento para elaborar. Embora seja discutível, acredito que a primeira tragédia de sua vida foi ter sido abanonado por sua mãe, uma mulher que ele acredita ser, atualmente, uma freira com a qual mantém contato.Ele tem resistido à tentação de conversar seriamente com ela sobre assassinato. Após o abandono de sua mãe Matthew ainda sofreu várias outras tragédias, como a perda de sua visão devido a lixo radioativo, a perda de seu pai devido a assassinato, várias namoradas devido a mortes trágicas e, recentemente, sua esposa devido a uma doença mental que foi induzida quimicamente. Além disso, sofreu um quantidade incalculável de traumas físicos, teve sua identidade secreta revelada duas vezes, sofreu abusos fisicos e verbais nas mãos de seu mentor, Stick, perdeu temporariamente a licença para advogr, sofreu o que pode ser descrto aqui como "esgotamento nervoso" por, pelo menos, duas vezes e passou por um breve período de encarceamento. Infelizmente, esta é a versão curta das tragédias do cliente.

Murdock tem demonstrado forte resiliência perante estas tragédias. Tem sempre se forçado a seguir em frente, porém sm conceder a si mesmo o tempo necessário para lamentar e/ou elaboraras mágoas e desventuras que tem recaído sobre ele. Consequentemente, elas estão cada vez mais próximas da superfície e qualquer recordação, por mais simples que seja, é capaz e trazer o sofrimento de volta. Quando conduzido novamente a estes eventos o cliente apresenta uma reaçao binária; ou assume a responsabilidade por estas tragédias e suas consequências admoestando-se incessantemente em pensamentos, ou culpa seus inimigos por elas, castigando-os de maneira severa. Seus amigos, a seu ver, são incapazes de más escolhas; há somente as decisões erradas que ele toma e as intenções maliciosas de seus inimigos.

Tomemos como exemplo seu recente relacionamento extraconjugal com uma amiga. Matthew enraiveceu-se com si mesmo devido a este delito, mas negou o fato de que a mulher com a qual dormiu também teve responsabilidade sobre este ato. Sentiu-se culpado por ter feito o que fez com a esposa e culpado também por ter "trazido" a amiga para esta situação agindo como se ela não tivesse liberdade de escolha. Fica claro, portanto, tendo em vista suas atitudes e ações que esta é e continuará sendo a maneira que ele enxergará a maioria dos eventos de sua vida enquanto não resolver esta situação interna. O mundo de urdock é em preto e branco, no qual a culpa deve ser realçada e sempre recairá sobre ele ou àqueles que a ele se opõem.

Sendo assim, conclui-se por ora que o cliente está preso em uma ciranda formada por suas próprias culpa e fúria e incapaz de escapar dela. Devido a sua maneira de interpretar o mundo, ele é capaz de grandes atos de sacrfício pessoal, no entanto, grandes também podem ser os atos egoístas. Por não conseguir enxergar além de si mesmo raramente solicita ajuda ou considera que suas ações podem afetar outros além de si mesmo, incluindo aqui aqueles a seu redor.

No geral, o cliente em questão é alguém que poderá se beeficiar muito do processo terapêutico, tão logo passe a acreditar nele e recnheça que necessita de ajuda. O cliente voltará em agosto para nova sessão.

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